domingo, 21 de agosto de 2016

O bispo que criou a paróquia de Nossa Senhora da Nazaré


 D. Manuel Correia de Bastos Pina

Anda, ao que julgo, muito esquecido entre nós o Bispo que decretou a ereção canónica da nossa paróquia em 31 de agosto de 1910. Trata-se de D. Manuel Correia de Bastos Pina, Bispo-conde de Coimbra, natural da Carregosa, concelho de Oliveira de Azeméis, onde nasceu em 19 de novembro de 1830.
Na altura, a Diocese de Aveiro ainda não havia sido restaurada, pelo que pertencíamos à Diocese de Coimbra. E só em 1938, no dia 11 de dezembro, com a restauração da Diocese de Aveiro, é que deixámos de pertencer à Igreja Conimbricense.
O Bispo-conde de Coimbra tinha uma natural simpatia por Aveiro. Estudou em Ílhavo e mais tarde acompanhou o percurso de D. João Evangelista de Lima Vidal, primeiro bispo da restaurada Diocese de Aveiro, com manifestações de estima e proximidade, dele tendo dito D. João que «era uma figura poderosa de bispo, cheio de prestígio e vida», conforme li no livro “Lima Vidal no seu tempo”, de João Gonçalves Gaspar (I Vol., pág.104).
Segundo A. Jesus Ramos, autor da biografia do Bispo-conde de Coimbra, intitulada “O Bispo de Coimbra D. Manuel Correia de Bastos Pina”, o biografado foi «uma das figuras mais marcantes da Igreja em Portugal na segunda metade do século XIX e inícios do século XX». D. Manuel faleceu em 19 de novembro de 1913.
Noutra passagem do livro de João Gonçalves Gaspar lê-se que «Muitas vezes esteve em Aveiro o bispo-conde e até se dirigiu aos arciprestes, párocos e clérigos dos concelhos de Aveiro, Ílhavo, Vagos e Mira, escrevendo-lhes uma carta pastoral sobre a Ria que tem a data de 30 de janeiro de 1891». Acrescenta, ainda, que «também pôs à disposição do arcipreste de Aveiro a quantia de duzentos mil réis para ajudar os pescadores mais necessitados a fazerem a substituição das redes de pesca, em obediência aos regulamentos oficiais».
Não consta que tenha visitado a Gafanha, mas esteve em Ílhavo.

Fernando Martins

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Gafanha do Carmo — Parque das Merendas


O Parque das Merendas da Gafanha do Carmo julgo que está devidamente preparado para receber quem aprecia, em tempo de verão, a sombra fresca do arvoredo enriquecida pela cobertura de palha. A merenda será fácil e as bebidas  também têm de marcar presença para refrescar corpos e ideias. Aproveitem porque daqui a uns tempos vai-se o sol e volta o frio tão desagradável.

Obras no Parque Desportivo da Gafanha da Encarnação

 


 
«Estão a ser ampliados os balneários e está a ser preparado o terreno para a aplicação do relvado sintético. Estas intervenções visam dotar o Parque Desportivo de melhores condições para a prática desportiva de forma a incentivar o desporto e o estilo de vida saudável.
A ampliação dos balneários representa um investimento da Junta de Freguesia para que os utilizadores tenham condições dignas de higiene após a prática desportiva.
A aplicação do relvado sintético, responsabilidade da CMI, visa permitir a prática desportiva segundo os padrões mais atuais.
Estes investimentos, realizados em estreita ligação com o NEGE, decorrem do Contrato-Programa de Desenvolvimento Desportivo assinado entre a Câmara Municipal de Ílhavo, o NEGE – Novo Estrela da Gafanha da Encarnação e a Junta de Freguesia da Gafanha da Encarnação.»
 
Li aqui
 
 

Gafanha da Nazaré — Nona Década

1990 - 1999
Centro Cultural
Inauguração do Centro Social Paroquial Nossa Senhora da Nazaré
Silva Peixe
Humberto Rocha, primeiro gafanhão na presidência da CMI
Nossa Senhora da Nazaré
Fundação Prior Sardo

Prior Sardo
Alexandrina Cordeiro
Não podemos ficar indiferentes ao que continuamente se tem feito e continua a fazer na nossa freguesia e paróquia. Perfeitamente integrada na comunidade diocesana e regional de que faz parte, a Gafanha da Nazaré jamais foi terra indiferente aos ventos de mudança e do progresso.
O Congresso dos Leigos e o Sínodo Diocesano foram processos dinâmicos e renovadores da nossa maneira de ser e de estar na sociedade envolvente.
 Em Maio de 1990 morre o poeta popular Silva Peixe, natural de Ílhavo, conhecido por Poeta-Marinheiro. Cantou a Gafanha diversas vezes, ou não fosse ele um ilhavense atento às nossas terras e gentes.

Gafanha — Terra de Fé

Gafanha, terra de Fé,
És bem bonita, confesso,
— Um vergel da Nazaré —
Sempre em constante progresso!

O teu porto sobranceiro,
Que te dá tanto valor,
Leva a cidade d’Aveiro
A criar-te um grande amor!

Tens estaleiros navais,
E o Vouga passa-te aos pés.
Há sempre barcos nos cais,
És linda de lés a lés!

As tuas cores garridas
Encantam e não me esquecem,
Andam paisagens perdidas,
Pintores não aparecem!

COLUMBANOS E MALHOAS
Deixai o eterno sono,
Vinde pintar coisas boas,
BELEZAS QUE NÃO TÊM DONO!

Silva Peixe

Com novo prior, o Padre José Fidalgo, desde 17 de Dezembro de 1989, novas ideias emergem e novos desafios se impõem. O Centro Social Paroquial, inicialmente vocacionado para o apoio à Terceira Idade, é inaugurado a 4 de Maio de 1991.
Neste mesmo ano, surge na Praia da Barra uma associação vocacionada para defender, sob o ponto de vista cívico, os interesses e anseios daquela estância balnear — Associação dos Amigos da Praia da Barra.
A Fundação Prior Sardo inicia intervenção social de resposta às mais diversas carências das famílias e pessoas.
No ano seguinte, em 31 de Agosto, data da criação da paróquia, é inaugurada no jardim com aquele nome a estátua do Prior Sardo, na presença do Bispo de Aveiro, D. António Marcelino, do governador civil, Gilberto Madail, demais autoridades e várias centenas de pessoas. Descerrou a estátua, a convite de Gilberto Madail, a primeira batizada na Gafanha da Nazaré, pelo Prior Sardo, Alexandrina Cordeiro.
Em 1993, pela primeira vez na história do Município de Ílhavo, é eleito um gafanhão, Humberto Rocha, para a presidência da Câmara Municipal.
Em 1994, no adro da igreja matriz, é inaugurada uma estátua de Nossa Senhora da Nazaré, para assinalar o Ano Internacional da Família.
O Centro Cultural da Gafanha da Nazaré foi inaugurado em 1996, abrindo as portas às mais diversas expressões culturais da nossa terra e região, promovendo iniciativas destinadas aos mais variados quadrantes, desde a infância à terceira idade, desde a juventude à gente adulta, para todos os gostos e sensibilidades.
Pólo da Biblioteca Municipal, sala de exposições, anfiteatros para espetáculos e conferências e Fórum da Juventude com Internet integram o Centro Cultural.
Depressa, porém, se concluiu que apresentava lacunas e que urgia proceder a uma profunda remodelação. É o que acontecerá na próxima década.
Ainda nesta década foi constituída a Associação Náutica e Recreativa da Gafanha da Nazaré.

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Gafanha da Nazaré — Oitava Década

1980 – 1989
Igreja da Cale da Vila
Igreja da Chave
Filarmónica Gafanhense
Grupo Etnográfico
Rádio Terra Nova
Stella Maris
A oitava década ofereceu um conjunto relevante de projetos que representaram uma mais-valia para o desenvolvimento da comunidade e para o bem-estar do nosso povo.
A inauguração da igreja da Chave, em 8 de dezembro de 1980, simboliza a força de vontade daquele lugar da freguesia e a necessidade de o povo se reunir, para a oração, com mais familiaridade. O mesmo aconteceu na Cale da Vila, cuja igreja foi aberta ao público em 3 de julho de 1983.
Entra um novo prior, foi fundado o Grupo Etnográfico da Gafanha da Nazaré, inicia-se a construção do Lar de Nossa Senhora da Nazaré, a Filarmónica Ilhavense transfere-se de armas e bagagens para a nossa freguesia, assumindo o nome de Filarmónica Gafanhense, e é fundada a Escola de Música Gafanhense.
Em 1982 a paróquia recebeu a visita pastoral do nosso Bispo, D. Manuel de Almeida Trindade, na qual também participou D. António Marcelino, seu bispo coadjutor.
Em 1983, por exigências legais, a Cooperativa Elétrica da Gafanha da Nazaré dá lugar à Cooperativa Cultural da Gafanha da Nazaré.
A freguesia e paróquia celebram Bodas de Diamante, a Rádio Terra Nova é oficializada e leva alto e longe a importância do concelho de Ílhavo. São ordenados, pela primeira vez na Diocese de Aveiro, Diáconos Permanentes para o serviço da Igreja, três dos quais são da nossa paróquia.
Os semáforos entraram em funcionamento, pela primeira vez na nossa terra, a título experimental, no cruzamento da Av. Central (atual José Estêvão) com a Av. Bacalhoeiros, em princípios de 1984. Em abril do mesmo ano foram instalados junto à igreja matriz. 
Em 10 de novembro de 1985, as novas instalações do Stella Maris, da Obra do Apostolado do Mar, foram inauguradas por D. Manuel de Almeida Trindade. Esta primeira fase, que importou em 13 mil contos, passou a oferecer sala de refeições, bar, cozinha, escritório, receção, armazém, 15 quartos com casas de banho e um salão para reuniões.
Houve um subsídio, em 1982, do secretário de Estado dos Assuntos Sociais, Bagão Félix, e apoios das Câmaras Municipais de Aveiro e Ílhavo.
Nesta altura, a direção era constituída por Carlos Sarabando Bola (presidente), Padre Rubens Severino (1.º vice-presidente), Fernando Ribau (2.º vice-presidente), Olinto da Cruz Ravara (1.º secretário), António Manuel de Oliveira Fernandes (2.º secretário), Alberto Almeida Monteiro (1-º tesoureiro) e João Saraiva Sardo (2.º tesoureiro). O assistente religioso era o Padre Messias da Rocha Hipólito.
O progresso social, cultural e económico, em crescendo desde o povoamento destas dunas, tornou-se mais notório.


segunda-feira, 11 de julho de 2016

Crianças austríacas na Gafanha da Nazaré




Há anos debrucei-me sobre o caso das Crianças Austríacas que foram acolhidas na Gafanha da Nazaré e noutras localidades de Portugal, na sequência da II Grande Guerra Mundial. Recordei várias, tendo conversado com alguns membros de famílias de acolhimento. Não avancei muito porque me faltou o tempo para investigar um assunto que ocupava um lugar especial na minha memória. 
Volto hoje o tema, na certeza de que há na nossa região membros de famílias de acolhimento, decerto já idosos, que podem dar o seu contributo na recolha de dados.
De uma leitora do meu blogue chegou-me, entretanto, um desafio de Ana R. Silva, uma investigadora da Universidade do Porto que «pretende perceber os detalhes referentes à Ação da Cáritas que trouxe crianças de vários países europeus destruídos pela II Grande Guerra até Portugal nos anos 40-50» do século passado.
É óbvio que não deixarei de colaborar, se algo de importante me surgir, como desejo.
Aqui ficam. portanto os meus apelos a todos os leitores dos meus blogues. 

Ler mais aqui, aqui, aqui, aqui 

quinta-feira, 30 de junho de 2016

Um retrato bonito da Gafanha do Carmo

A Cândida Pascoal, autora do texto que copiei do Facebook, presta desta forma uma bonita homenagem à Gafanha do Carmo, terra que lhe está na alma. Gostei muito e daqui, por esta forma, saúdo todos os emigrantes que cultivam o amor à sua terra-natal.

Igreja Matriz
«A minha terra tem uma "Rua de Baixo". Tem um "Café Central" e uma " loja do Ti Larico" e o Talho do Ti Mário da Fátima. No Largo da Igreja há um jardim para as crianças brincarem nesse largo e existe aos Domingos no fim da missa uns senhores a venderem fruta, ouro e lençóis. Tem várias pessoa que ainda fazem pão em casa. Flores amarelas de erva azeda em vez de ervas daninhas pelas bermas da estrada. Tem pessoas que dizem sempre "bom dia" a quem passa, mesmo que sejam desconhecidos, tem o Ti Tairoco sentado no seu banquinho, que nos chama de Cachopas 
Ao meio dia toca o Sino. Tem um campo da bola. Um Grupo União Desportivo. Tem um Centro Comunitário onde tomam conta dos nossos idosos, com jovens cheios de entusiasmo, o mesmo entusiasmo que teve o seu Fundador e a sua equipa. Tem um grupo de pessoas que, eles, vestem umas capas vermelhas, elas, uma blusa branca e uma saia preta e vão na procissão da festa e funerais.
Um carteiro que entrega cartas deslocando-se numa Vespa. Tem uma mercearia que toda a gente achou que ia à falência com a abertura do shopping mais próximo mas que resiste porque vende o pão da padeira, frango churrasco ao domingo e à quinta, os legumes mais frescos vindos directamente dos fornecedores locais, sempre que lhe falta um cliente idoso mais que um dia na loja, vai tentar saber junto da família e vizinhos se está tudo bem. Teve vacas e ordenhas que fizeram muitas vezes parar o trânsito. Tem Senhoras que moram ao pé do adro da Igreja e que vão a todos os funerais e velórios, mesmo que não conheçam os mortos. Tem um sino que se ouve, altaneiro, às onze da manhã de domingo. Tem vizinhos que se cumprimentam por "vizinhos" como se fosse um parentesco. Tem muita gente que não sabe o meu nome mas sabe de quem sou nora ou cunhada. Tem a ida aos cricos e ao moliço. Tem gente que se conhece pelo nome próprio. 
Do mês de Junho ao mês de Agosto as casas enchem-se, com gente, filha, prima, cunhada, netos, de muitos Ti Maria e de muitos Ti Manéis.
Tem [teve]  um Presidente da Junta que pertence aos Escuteiros.
A minha terra tem vida lá dentro. E vocês conhecem esta terra?;))

Cândida Pascoal»

Publicado em 2013


GALAFANHA abre-e a novos horizontes


Tenho andado às voltas com a ideia de alterar o estatuto editorial do meu blogue Galafanha. Criado com a ideia de divulgar a Gafanha Nazaré e pugnar pelo seu progresso, veio agora ao meu espírito a necessidade de ampliar os seus horizontes, abarcando as demais Gafanhas, fundamentalmente porque o povo que esteve nas suas origens é o mesmo. 
Eu sei que não é tarefa fácil, mas o melhor será experimentar, esperando eu colaboração, numa perspetiva de partilha sadia e sem confrontos azedos, de todos os amigos. 

Fernando Martins