sexta-feira, 28 de novembro de 2008

GATA – Grupo Activo de Teatro Amador - 1

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Elenco da peça "MAR", de Miguel Torga

Caía a tarde. Uma tarde calma, sem vento que agitasse os ramos das árvores, sedentas da água que o verão escaldante lhes negava. Sentados, diante das bebidas que os refrescam, três homens sonham criar um grupo de teatro amador. São eles: Humberto Rocha, Manuel Cruz Caçador e Sargento Padilha. Tinha havido, no tempo dos nossos pais, algumas experiências nesse campo, mas logo amorteceram com o começo das grandes dificuldades económicas chegadas com o rugir dos canhões da II Grande Guerra. Depois tudo estagnou. Mas nós, que ouvimos falar com tanto entusiasmo alguns desses artistas populares, logo imaginávamos um palco, a cena, o público e os aplausos! E a nossa cabeça deitava “fumo”, como diria a minha saudosa avó. E a rodada de cerveja que nos serviram nunca mais terminava, porque os pensamentos voavam e o entusiasmo que nos fazia vibrar absorvia-nos por completo. E sonhávamos… e sonhávamos. E desse sonho nasceu o Grupo de Teatro, no ano da graça de 1973, a 27 de Setembro. Após delinearmos o esquema geral de actuação, decidimos procurar alguém que já tivesse a experiência que nos faltava para ensaiar. E a escolha recaiu no Júlio de Aveiro. Sabíamos que já tinha actuado no seu tempo de menino e moço e, mesmo mais tarde, já homem feito. As referências que lhe faziam, apontavam-no, sem sombra de dúvida, como uma boa aquisição. Pena foi que, algum tempo mais tarde, por motivos de saúde, tivesse de abandonar o Grupo. Entretanto já estava connosco o Sr. Augusto Fernandes, que comungava do nosso entusiasmo e, além disso, tinha conhecimentos da matéria. Foi-lhe atribuído o lugar de ensaiador. Tinham continuado as adesões com nomes que, mais tarde, se revelariam verdadeiros artistas. Humberto Rocha In Boletim Cultural da Gafanha da Nazaré (Continua)
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quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Corpo Nacional de Escutas na Gafanha da Nazaré - 1

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AGRUPAMENTO N.º 588 DA GAFANHA DA NAZARÉ

Em 29 de Julho de 1979 dá-se a oficialização do Agrupamento do CNE (Corpo Nacional de Escutas - Escutismo Católico Português), ao qual foi atribuído o n.º 588. Na véspera, na noite de 28, fizeram a sua promessa os três primeiros dirigentes: Carlos Alberto Borges Ferreira (Chefe do Agrupamento), Orlando Leitão de Figueiredo (Secretário), e Fernando Alberto Borges Ferreira (Chefe de Grupo). Era assistente o Padre Miguel Lencastre. Logo de seguida, iniciaram a preparação com vista à chefia da Alcateia (Lobitos) as futuras chefes Madalena Matias, Maria Ana Cunha Pereira, Maria do Céu Gandarinho Lopes e Custódia Lopes Caçoilo. A primeira promessa de Lobitos ocorre a 2 de Maio de 1982, depois da necessária preparação. Em 1981, o chefe Carlos Alberto Ferreira deixa o Agrupamento e em 10 de Julho do mesmo ano assume a chefia Fernando Alberto Ferreira. Em 25 de Setembro de 1982, os responsáveis do Agrupamento n.º 588 são já os seguintes: Orlando Leitão de Figueiredo - Chefe do Agrupamento Padre Rubens António Severino – Assistente Fernando Martins - Adjunto do Assistente Carlos António da Silva Loureiro – Secretário Madalena Matias - Chefe da Alcateia Eunice Rodrigues da Silva - Chefe do Grupo Júnior

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terça-feira, 11 de novembro de 2008

Coisas dos nossos “intigos”

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O Regueirão, com o moinho do ti João Conde à vista
Falar de qualquer terra, é uma coisa vulgar, pouco nos dirá. Falar da nossa Terra, é diferente. E, sem esforço, estamos a puxar a água para o nosso moinho. Lembro-me que, em criança, andando a vaguear pela Ria, ali pelo Regueirão, na Marinha Velha, havia um sítio a que nós chamávamos o Moinho – e lá estavam ainda os restos da construção: pedaços de adobos, telhas quebradas… Teria sido mesmo um moinho? – Assim no-lo atestava a nossa imaginação e uns restos de tradição oral. Mas seguindo por um rego que derivava para terra, lá bem na estrada, surgiu mesmo um “moinho” a sério, mas movido a electricidade, creio que era do ti João Conde. (De uma vez fui lá trocar milho e resolvi ir de bicicleta. À volta, no Zé da Branca, dei o maior trambolhão da minha vida. Ainda não dominava bem a “burra”, pois aprendera a andar nessas férias, para ir para o liceu… Amigos, senti-me voar, até me faltou o ar na descida tão brusca… e dei comigo no fundo da valeta!) Falava eu de moinhos… Recordo que aí, como aliás noutros sítios, as mulheres usavam lenços na cabeça. E pelos lenços (e também pela roupa) sabia-se o estado da mulher – viúva, casada, marido ausente, marido a chegar, solteira comprometida, solteira,…, “filha de Maria”,… O lenço funcionava como as bandeiras da praia. E havia-os de vários tecidos… Rico tema para um estudo a sério… Para os da minha geração vou lembrar-lhes algo que me ficou registado e agora cá está. As mulheres andavam normalmente de lenço. Mas com a evolução, algumas começaram a cortar o cabelo, etc. e tal… Quantos comentários se ouviram!... Seria mais um sinal da “emancipação” da mulher… Apareceram, com mais profusão, os mantos, mantilhas e véus, para “ver o Senhor”. E alguns eram mesmo bonitos e bem trabalhados. Mas o pior era quando se esqueciam dele em casa. Era obrigatório a cabeça da mulher estar coberta na igreja. Como resolver? - Ó João tens aí o teu lenço? - Para quê? - Dá cá, home, esqueci-me do véu em casa. E com aquele sem-cerimónia característico, ei-la que entra na igreja com o lenço “tabaqueiro” pousado na cabeça!... Onde havia lenços bonitos – onde estais! – era nos ranchos que se formavam quando havia Cortejos de Reis ou pelo Carnaval. Não há dúvida que as raparigas tinham brios nos seus lenços. E era vê-las de prendas à cabeça ou à volta do ti Armando Ferraz para ensaiar a dança do encadeado. Imagens e figuras de um passado recente que muito caracterizam a vida da Gafanha… O ti Armando ensaiava os seus ranchos e, no “defeso“, entretinha-nos com os robertos… Páginas ainda vivas da história popular… Onde também se notava o lenço era quando se levava o jantar aos que trabalhavam – nas terras, nas obras, nas secas ou nos estaleiros (do Mónica ou do Mestre Silvério. Neste era engraçado: os homens tinham de atravessar a Ria, para vir comer à sombra das tramagueiras que ladeavam a estrada que ia para Aveiro!) Perto da hora do meio-dia era uma azáfama para não fazer esperar os “moiros do trabalho”. Agora não será assim, mas era um costume que tinha raízes profundas e talvez não fosse mau para a saúde… Comida fresquinha, a fumegar! E aos Domingos? Em certa altura, ali no caminho que ladeia a igreja e conduz ao cemitério, surgiu um mercado domingueiro. Terão sido os irmãos Matias, de Vilar, (e peço-vos licença para os saudar, pois somos amigos de longa data!), os primeiros a trazer as suas batatas para vender à saída da Missa. E pegou… De tal forma que depois se teve de arranjar local mais apropriado e agora aí tendes o “mercado”… Também, nas vendedeiras, se podiam apreciar lenços bonitos!... E não é que, de lenço em lenço, me lembrei do jogo que ainda se usa mas que nesses tempos estava muito em voga – o jogo do lencinho-lenção!... Outros lenços, como é lógico, que nada tinham a ver com os da cabeça. Mas quantas histórias belas nos poderiam contar estes lencinhos, mais ou menos bordados, que eram o esmero das raparigas e o “ai-Jesus” dos rapazes! É que, na época própria, quando a idade isso pedia, a rapariga deixava cair o lencinho que o rapaz, de olho vivo e mão ligeira, apanhava e… Começava o romance! Não sei o que as raparigas hoje “oferecem” aos “romeus” – ou o que recebem… - mas então a primeira oferta era o… nome, depois o lenço, depois a fotografia e, só mais tarde, a mão! E quantas vezes tudo terá começado pelo lenço caído! Se um dia fizermos um museu – tardará muito? – reservemos um espaço para uma colecção de lenços, o que até nem será inédito… Será um património a guardar o que muito nos poderá ensinar dos nossos “intigos”, ou melhor das nossas “intigas”… E por hoje, deixem que vos saúde com o meu chapéu – que tenho de pedir emprestado. - Até mais ver! Manuel Olívio da Rocha NOTA: Este texto, do gafanhão de quatro costados e meu particular amigo Manuel Olívio da Rocha, encontrei-o há dias num boletim que preparei, em 1985, para as celebrações das Bodas de Diamante da criação da Gafanha da Nazaré, promovidas pela Junta de Freguesia, presidida, na altura, por Manuel Gandarinho Lopes. Porque se trata de um naco saboroso da história do nosso povo, aqui o ofereço aos meus leitores. Já lá vão, pois, 23 anos desde que o Manuel o escreveu. E tenho cá um palpite que ele nem se recordará deste seu escrito, que reputo de delicioso. Para ele, também, um abraço, com saudades desses tempos.
FM ;

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Foto com desafio - 3

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A propósito da minha segunda “Foto com desafio”, recebi do meu amigo Helder Ramos o seguinte esclarecimento, que muito agradeço…
“ … é a propósito da foto publicada. Esta foto foi feita no final de uma prova organizada pela Comissão da Festa de N. Sra. da Nazaré, no último Sábado (salvo erro) de Agosto de 1982. Na foto não surge quem deu o apoio técnico à rapaziada. Foi o Prof. Júlio Cirino, que, durante muitos anos treinou muito boa gente no antigo Campo de Jogos do Forte da Barra. (Se o meu gosto pelo desporto existe, deve-se muito ao meu irmão Dinis Casqueira e ao Prof. Júlio Cirino, que nos iam chamando para , as coisas boas da vida). Essa prova realizou-se no Campo de Jogos do G.D. Gafanha e eu não faltei, depois de me ter inscrito no Cartório Paroquial. O vencedor foi o João Eduardo Jubilado Rodrigues, colega de escola primária e excelente homem, também desportivamente, que deu muito suor às equipas de futebol do GDG. A prova consistiu numas 6 voltas, se não me falha a memória, e deu direito a medalha para todos, ou quase. Tenho-a em casa como grata recordação, e lembro-me muito bem do calor que fazia e daquele saibro alvoroçado pelos sapatos de bico que o Augusto Amarante me emprestou. No fim, não aguentava os gémeos, porque nunca tinha treinado com tal... Nessa imagem reconheço algumas pessoas presentes - os dois filhos do Sr. Leitão (Paula e Nelo, que ficou atrás de mim nessa corrida); o Sr. Albino (ao fundo), membro da mordomia mobilizada pelo Pe. Miguel Lencastre, uma vez reiniciar-se as celebrações em honra da Padroeira. Creio que a foto publicada no Timoneiro de então tem outro enquadramento e nela se conseguem ver melhor as pessoas. A taça foi oferecida pelo BPA, que ainda funcionava na Av. dos Bacalhoeiros.”
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NOTA: Ora aqui está uma maneira bonita de colaborar. Agradeço ao Helder, enqunto peço aos meus leitores que me enviem fotos com legenda, se possível. A história também pode ser escrita deste modo.
FM
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domingo, 2 de novembro de 2008

Foto com desafio - 2

:Quem segura a taça? Quem está no grupo?
A propósito da Foto com desafio que publiquei há dias, recebi do Padre Miguel Lencastre, que se encontra, presentemente, em Fortaleza, no Brasil, uma achega, que fica à espera de outras. As achegas, quando me chegam, directa ou indirectamente, são partilha de conhecimentos de valor precioso. Diz o Padre Miguel (Prior da Gafanha da Nazaré entre 1973 e 1982) que a fotografia mostra o “desenrolar da toalha paroquial, representando todos lugares da antiga Gafanha”, o que representa “um verdadeiro ritual de como colocar em comunhão toda a paróquia”. Depois de perguntar quantos metros teria a toalha de comprimento, o antigo prior da Gafanha da Nazaré lembra que “cada emenda foi confeccionada no seu respectivo lugar”. A seguir, como facilmente se calcula, veio o almoço partilhado por muitos paroquianos. Hoje aqui fica outra fotografia de um encontro com jovens da época, da nossa paróquia. Deve ter havido uma competição qualquer, porque a taça está bem visível. A organização, certamente, foi do Padre Miguel. Ele ali está à vista de todos. Quem sabe mais sobre esta fotografia? FM :

JORGE RIBAU BRINDA-NOS COM A CHORA

Receita O prato  A nossa gastronomia tem muito mérito com muitos sabores, mas tem estado um pouco esquecida, por culpa, nat...