quinta-feira, 30 de junho de 2016

Um retrato bonito da Gafanha do Carmo

A Cândida Pascoal, autora do texto que copiei do Facebook, presta desta forma uma bonita homenagem à Gafanha do Carmo, terra que lhe está na alma. Gostei muito e daqui, por esta forma, saúdo todos os emigrantes que cultivam o amor à sua terra-natal.

Igreja Matriz
«A minha terra tem uma "Rua de Baixo". Tem um "Café Central" e uma " loja do Ti Larico" e o Talho do Ti Mário da Fátima. No Largo da Igreja há um jardim para as crianças brincarem nesse largo e existe aos Domingos no fim da missa uns senhores a venderem fruta, ouro e lençóis. Tem várias pessoa que ainda fazem pão em casa. Flores amarelas de erva azeda em vez de ervas daninhas pelas bermas da estrada. Tem pessoas que dizem sempre "bom dia" a quem passa, mesmo que sejam desconhecidos, tem o Ti Tairoco sentado no seu banquinho, que nos chama de Cachopas 
Ao meio dia toca o Sino. Tem um campo da bola. Um Grupo União Desportivo. Tem um Centro Comunitário onde tomam conta dos nossos idosos, com jovens cheios de entusiasmo, o mesmo entusiasmo que teve o seu Fundador e a sua equipa. Tem um grupo de pessoas que, eles, vestem umas capas vermelhas, elas, uma blusa branca e uma saia preta e vão na procissão da festa e funerais.
Um carteiro que entrega cartas deslocando-se numa Vespa. Tem uma mercearia que toda a gente achou que ia à falência com a abertura do shopping mais próximo mas que resiste porque vende o pão da padeira, frango churrasco ao domingo e à quinta, os legumes mais frescos vindos directamente dos fornecedores locais, sempre que lhe falta um cliente idoso mais que um dia na loja, vai tentar saber junto da família e vizinhos se está tudo bem. Teve vacas e ordenhas que fizeram muitas vezes parar o trânsito. Tem Senhoras que moram ao pé do adro da Igreja e que vão a todos os funerais e velórios, mesmo que não conheçam os mortos. Tem um sino que se ouve, altaneiro, às onze da manhã de domingo. Tem vizinhos que se cumprimentam por "vizinhos" como se fosse um parentesco. Tem muita gente que não sabe o meu nome mas sabe de quem sou nora ou cunhada. Tem a ida aos cricos e ao moliço. Tem gente que se conhece pelo nome próprio. 
Do mês de Junho ao mês de Agosto as casas enchem-se, com gente, filha, prima, cunhada, netos, de muitos Ti Maria e de muitos Ti Manéis.
Tem [teve]  um Presidente da Junta que pertence aos Escuteiros.
A minha terra tem vida lá dentro. E vocês conhecem esta terra?;))

Cândida Pascoal»

Publicado em 2013


GALAFANHA abre-e a novos horizontes


Tenho andado às voltas com a ideia de alterar o estatuto editorial do meu blogue Galafanha. Criado com a ideia de divulgar a Gafanha Nazaré e pugnar pelo seu progresso, veio agora ao meu espírito a necessidade de ampliar os seus horizontes, abarcando as demais Gafanhas, fundamentalmente porque o povo que esteve nas suas origens é o mesmo. 
Eu sei que não é tarefa fácil, mas o melhor será experimentar, esperando eu colaboração, numa perspetiva de partilha sadia e sem confrontos azedos, de todos os amigos. 

Fernando Martins

domingo, 19 de junho de 2016

Gafanha da Nazaré — Sétima Década

1970 – 1979
Santuário de Schoenstatt
Complexo Desportivo da Gafanha da Nazaré
A sétima década começou com o excelente entendimento verificado entre o Prior, Padre Domingos, e o seu coadjutor, Padre Miguel. Pessoalmente, testemunhei, como colaborar assíduo, esse entendimento, até porque, espiritualmente, estavam em sintonia. Ambos comungavam, há anos, os ideais schoenstattianos, razão que levou o Padre Miguel a optar pela Gafanha da Nazaré.
Com a saída do Padre Domingos para Salreu, a dinâmica paroquial intensificou-se com novos rumos no horizonte. Muitas famílias estavam ligadas a Schoenstatt e a cooperação com a paróquia era sintomática da unidade que se desejava entre lugares da freguesia. E foi nesta década que se implementou a determinação de levar a comunidade a apostar nos benefícios de mudanças apoiadas no estudo e na concretização de projetos credíveis e viáveis.
Começou a sentir-se a urgência de “dar uma volta” à organização paroquial. Porém, essa convicção não nasceu espontaneamente, mas foi fruto de muita reflexão de grupos convocados, que assumiram tarefas de transformação pela positiva.
O Vaticano II tinha terminado em 1965 e era preciso que as comunidades católicas se adaptassem aos novos e extraordinários desafios lançados pelo Concílio Ecuménico.
Mais estudantes, mais gente formada com cursos superiores, mais cultura e um certo desafogo económico abrem novos horizontes. Também o teatro se impôs, para além do que era habitual e que se traduzia em representações esporádicas em festas ocasionais, da catequese, da Ação Católica e outras. A moda dos festivais da canção também pegou entre nós. E o teatro aparece de forma mais organizada.
Em 25 de Abril de 1974 é posto fim ao chamado Estado Novo com a Revolução dos Cravos, que restituiu as liberdades fundamentais ao povo português.
Ainda em 1974, o Forte da Barra foi reconhecido como imóvel de interesse público, por decreto de 21 de Dezembro.
Novos serviços paroquiais são criados, em especial, Pastoral de Doentes (1973), Ministros Extraordinários da Comunhão (1975), grupo de jovens Talitha Kum (1977), Festival da Canção (1978), Agrupamento n.º 588 do Corpo Nacional de Escutas (1979) e o Stella Maris passa a desenvolver uma intervenção social e pastoral, logo depois do 25 de Abril. Ainda se iniciaram os projetos de construção de três capelas (assim chamadas na altura): Chave, Cale da Vila e Praia da Barra.
Em 20 de Março de 1976, por alvará emanado da Secretaria de Estado da Estruturação Agrária, foi cedida gratuitamente uma parcela de terreno, sito na Colónia Agrícola, à Junta de Freguesia da Gafanha da Nazaré, para usufruto do Grupo Desportivo da Gafanha. O mesmo alvará adianta que «A cedência referida poderá ser rescindida nos casos legalmente previstos e designadamente se o usufrutuário não cumprir as obrigações a que fica adstrito, em especial as de, no prazo de cinco anos efetuar ou ter em vias de acabamento as obras necessárias à prossecução dos seus objetivos sociais». 
O Santuário de Schoenstatt foi inaugurado em 1979, passando a ser, a partir daí, um centro de espiritualidade de grande expressão na região.

Nota: Alguns temas apontados serão abordados mais tarde. 

JORGE RIBAU BRINDA-NOS COM A CHORA

Receita O prato  A nossa gastronomia tem muito mérito com muitos sabores, mas tem estado um pouco esquecida, por culpa, nat...